Com repercussão da live e por consequência do post feito aqui detalhando as medidas que segundo o prefeito de Urussanga, Gustavo Cancellier, visam fazer uma economia inicial e necessária para atravessar esse momento em que já é evidenciada a queda na arrecadação, o Blog questionou o mesmo sobre os pontos mais discutidos nas Redes Sociais, bem como os que vieram via WhatsApp.
Blog – O reajuste dos servidores será cancelado ou suspenso?
Gustavo – Encaminharemos para a Câmara de Vereadores de Urussanga, o projeto de lei que suspende o reajuste, nesse momento. Não haverá prejuízo para o Plano de Carreira do Magistério e tão logo, passe os efeitos nocivos da pandemia, todos passam a receber os valores do reajuste, que ainda não começou a ser pago. Nenhum servidor terá redução dos vencimentos que recebeu em março, exceto os que estiverem em cargos de comissionados. A medida é necessária e importante para que possamos manter serviços essenciais, como saúde, por exemplo, que nesse momento precisa de muito investimento.
Blog – Nas redes sociais alguns munícipes sugerem que o senhor deveria dispensar cargos de confiança desnecessários na opinião desses, ao invés de suspender o reajuste. Entende que teria o mesmo resultado?
Gustavo – Desde o início da nossa administração temos o menor índice de cargos de confiança de toda a região da AMREC. Em fevereiro deste ano, conforme foi publicado em um portal de notícias de Criciúma, tínhamos uma das menores estruturas de cargos de confiança da região, e isso reduziu mais ainda. Hoje temos apenas três secretários. Se reduzir mais o pessoal de primeiro escalão quem vai responder por obras, saúde e educação? Nós sempre estivemos no limite mínimo de cargos. Está não é uma medida que desejávamos tomar, mas é necessária. Além disso serão reduzidos os salários do prefeito e do vice, em 30%, dos secretários e diretores em 10%. Todos nós vamos fazer sacrifícios em favor da nossa população.
Blog – Não faltam avaliações no meio, sobre o fato de que essa medida é impopular, e pode prejudica-lo politicamente, caso busque a reeleição.
Gustavo – Paulo, acredito que algumas estão explorando politicamente a situação atual. Estamos lidando com a vida das pessoas. Precisamos entender que as decisões que nós gestores temos que tomar envolvem pais e mães que precisam sustentar seus filhos e que estão ficando sem emprego. Vamos ter um aumento muito grande de gente pedindo auxílio para comer, dar remédio para seus filhos, para poder pagar a conta de energia e de água. Aliás esse é outro problema que temos que resolver, o abastecimento está ficando complicado pela falta de chuvas. Pensar em uma decisão que seja orientada pelo aspecto político é de uma irresponsabilidade e mesquinharia muito grande. Vemos pessoas explorando esse momento para ter ganhos políticos. Isso não é cristão. É lamentável. Tomamos as medidas para garantir atendimento à população. Todos os dias recebemos pedidos de ajuda porque alguém perdeu o emprego, tem casos de mais de um por família. Não é ora de política. Não é ora de olhar para si próprio. É ora de olhar pro lado e dividir o peso da cruz que todos teremos de carregar.
Blog– Em valores, qual é o tamanho da queda na receita estimada de imediato?
Gustavo – Nós prefeitos somos orientados pela FECAM, diariamente, a respeito do desempenho da economia e das receitas financeiras do governo do estado e do governo federal. Além disso Santa Catarina e o Brasil estão juntos, tendo que gastar bilhões de reais no combate à pandemia. De onde saem esses recursos? Dos repasses que farão. Hoje, a orientação que temos da FEACM e do próprio governo do Estado é de que a receita caia entre R$ 600 e R$ 700 mil reais, de imediato. Nossas medidas de economia devem gerar um resultado mensal em torno de R$ 350 mil, ou seja, a metade do que cairá a receita.