Barroso admite que eleição de 2020 pode ser adiada para novembro ou dezembro

As eleições municipais de 2020 podem ser adiadas, segundo Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e recentemente eleito próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Minha vontade é que a eleição aconteça no primeiro domingo de outubro como prevê a Constituição, mas ainda não é possível antecipar como estará a vida até lá”, explicou o ministro em uma live conduzida por Rafael Furlanetti, diretor institucional da XP, juntamente com os analistas políticos, Richard Back e Paulo Gama, também do mesmo grupo.

“Antes disso ainda tem muita coisa para acontecer, como os testes técnicos do TSE, a organização política em si. Embora eu não deseje o adiamento, trabalho com a possibilidade do mesmo”, completou.

Segundo Barroso, se o adiamento for inevitável devido à pandemia, a ideia é movimentar a data em semanas. “Portanto, gostaria de fazer em novembro ou no primeiro domingo de dezembro, porque teríamos condições de dar posse aos eleitos na data certa e evitar a prorrogação em maior extensão. Sou radicalmente contra a prorrogação de mandatos e mais ainda contrário à coincidência das eleições em 2022”, afirma.

No seu entendimento, ter eleições de esferas diferentes no mesmo ano acarreta uma série de problemas. Primeiro, o democrático, já que prefeitos e vereadores que ocupam os cargos atuais foram eleitos para quatro anos e a população tem direito de escolher se quer trocar ou não.

E segundo, a confusão na cabeça do eleitor. “Se coincidir eleições municipais com as nacionais o eleitor terá que votar para sete cargos e seria um prejuízo para a participação esclarecida”, diz. Em terceiro, a mescla de objetivos: as eleições nacionais tratam coisas diferentes das municipais. “Então ao coincidir ambas, ou você municipaliza as eleições nacionais ou nacionaliza as eleições municipais o que é ruim porque tudo é importante para a sociedade”.

Por fim, seria um volume muito grande para administrar. “Temos uma estimativa de 750 mil candidatos municipais no país, o que já é muita gente, e ainda teríamos que somar aos candidatos da esfera nacional. É um volume inviável”.

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Paulo Donizete Matias