Entrevista: Cuíca afirma que em 2020 a chance é zero de estar na eleição

O ex-vereador e ex-vice-prefeito, líder que se destacou no PT de Urussanga, Luiz Henrique Martins “Cuíca”, concedeu entrevista exclusiva para o Blog, e com a habitual franqueza não se desviou de nenhuma pergunta:

Por que você se afastou da política local? Foi uma decisão pessoal, eu vi que tinha uma filha pequena, dois filhos adolescentes, meus pais com a idade avançada e problemas de saúde. Eu vi que não adiantava tentar as duas coisas, vi que era o momento da vida que eu tinha que saber separar. E o principal, a motivação. Eu sentia que não estava com vontade de participar, eu sabia o que estava sentindo, eu não tinha motivação para continuar.

Como você vê o atual momento do PT local? Eu me afastei, eu não tenho participado das reuniões. Eu posso falar pouco e tenho falado com o Marquinhos quando ele me procura, mas eu confesso que estou mais distante porque foi uma decisão que tomei. Porque não adianta eu tomar e continuar.

Qual é sua opinião sobre o Marquinhos aceitar o convite para assumir essa secretaria? O que é visto por muitas pessoas como uma ação do prefeito visando a reeleição. O Marquinhos quando me procurou já manifestou a vontade de ser, ele queria ser secretário, por tabela assim ele também estaria cumprindo o acordo de dar três meses na Câmara para os suplentes. E eu particularmente me sinto um pouco ainda vinculado com a administração anterior, sentimentalmente. Agora o que eu percebi depois da reunião que eu não participei que teve vários questionamentos, disseram: “Na administração anterior nunca nos deram uma secretaria”; “Na eleição falaram pra não votar em candidatos do PT para não correr o risco de perder uma vaga”. Essas magoas ficaram. Mas claro que o prefeito fez esse convite obviamente pensando na eleição, só que isso aí é arriscado, claro que aproxima o Marquinhos do prefeito, mas é arriscado porque acaba magoando parte do teu partido, algumas pessoas que queriam ocupar aquele cargo, e as vezes eu não sei se é positivo ou negativo lá na frente.

Existe a ideia de que talvez em 2020 a sigla PT não figure na eleição local, os entes sim, quem sabe em outros partidos. Qual é a sua visão sobre essa possibilidade? Sem querer me achar, quem sempre arrumou os candidatos fui eu. Com todo respeito, sempre fui eu que fiz esse trabalho e eu não vejo ninguém fazendo agora.

Qual a sua avaliação do atual governo municipal? Esse período não é bom para todos os que se tornaram prefeitos. O que salvou os prefeitos da região foram os empréstimos, ponto final! O que seria da administração atual sem os R$ 14 milhões? E nos municípios vizinhos da mesma forma. É muito bom para quem está no cargo, porque realiza a obra. Até porque eu aprendi a respeitar a todo mundo que passou ali, eu aprendi a respeitar mais os ex-prefeitos, porque eu sei que é difícil, porque o orçamento é limitado. Em termos de obras com a administração minha e do Johnny, mesmo pegando os R$ 14 milhões, os números que nós investimos forma muito maiores. Só que eu também entendo que são momentos diferentes. Apesar de eu ver a avaliação de agora que não foi boa, nós tivemos 72%. E foi batido muito na tecla dívida, e isso aí vai ficar uma dívida.

O que você pensa de o atual governo dizer que na fase inicial precisou se concentrar em pagar as dívidas que vocês deixaram? É uma mentira, é uma mentira eu falo pra quem quiser e desafio quem quiser discutir. Como que uma administração vai ficar devedora e aprovar as contas no tribunal? O município de Urussanga tinha dívidas, como nós pagamos muitas, mas não eram dívidas do mandato, gestão, Johnny e Luiz Henrique. Falo e repito nós deixamos uma dívida de precatórios, fornecedor não. A dívida que ficou foi precatória, pouco mais de R$ 1 milhão, que era pra ter sido paga no nosso mandato. Só aqui na AMREC, mais da metade teve as contas rejeitadas. E vários prefeitos com contas rejeitadas se reelegeram. Mas aqui teve um fator determinante um setor da imprensa carimbou como verdadeira a mentira. E até hoje ninguém pediu desculpa pra nós. O grande problema da nossa cidade que acaba me desestimulando é essa raiva de um lado e do outro. A gente tem que saber separar. Eu sou um exemplo, eu liguei várias vezes pro Gustavo, dizendo que no que ele precisasse, na maior boa-fé, ele não me disse vem aqui, tudo bem.

A informação é de que o percentual comprometido hoje com a folha é bem menor que na época de vocês, o que dizer a respeito? Não, é simples isso aí, arrecadação aumentou! O que eles fizeram no início que foi uma forma de economizar, foi pagar secretário com salário de diretor. Só que eu já ouvi de dois, que quando eles saírem vão entrar com uma ação contra o município. Aí lá na frente quem vai pagar vai dizer que é dessa administração?

Você vê alguma possibilidade de voltar, concorrer, ser acionado para compor uma chapa em 2020? Zero, zero! Eu já fui vereador, não quis ir pra reeleição. Fui candidato a prefeito sabendo que iria perder. Fui vice, coisa que eu nem tinha perfil pra ser vice, mas fui. E enganou, o pessoal achava que eu iria ter algum problema com o Johnny e foi tranquilo.

Você não cogita voltar para a política de Urussanga então? Aí é muito forte! Nessa eleição sim… Amanhã eu vou dizer o que né?

Por que vocês perderam a eleição? Por achar que estava ganha!

Se você fosse candidato a vice, seria diferente? Eu iria fazer campanha e obrigaria o Johnny a fazer também, não teria esse negócio… Eu faria a coisa andar!

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