A reunião que o governador eleito Carlos Moisés da Silva (PSL) manteve com o futuro superministro da Economia Paulo Guedes nada tem a ver com a nova fase política do país, que foi inaugurada com os resultados das eleições deste ano.
Nada mais é do que a repetição da política do pires na mão, uma relação permanente na história da República entre estados e a União, representada pelo governo federal.
Moisés levou o atual secretário da Fazenda, Paulo Eli, para que ele fizesse um relato da situação das contas do Estado, um déficit previsto de R$ 700 milhões este ano e uma dívida pública que ultrapassa os R$ 19 bilhões.
O problema de Santa Catarina, um dos estados mais bem posicionados em termos de gestão do país, é que a dívida com o custeio, a folha de pagamento. A mesma chega ao limite do prudencial, 49%, de acordo com a Lei de Responsabilidade Social, e está acima dos 60%, na visão da Secretaria do Tesouro Nacional, que, ao contrário do que dizem o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público, considera para efeitos de cálculo os gastos com aposentados e pensionistas.
Neste contexto perigoso, pouco sobra para investimento, o que aumenta o endividamento com a solução de novos financiamentos. Não há outra saída, como apresentou Moisés a Guedes, senão repensar o Pacto Federativo ou partir para as reformas estruturantes, que passam pela Previdência Social e Tributária, só para a largada.
A repercussão nos estados será clara e Guedes já acenou com um pacote que inclui sacrifícios, como a venda de patrimônio público, por exemplo.
