O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ na versão inglesa) publicou neste domingo (3) o maior vazamento sobre corrupção da história, baseado em 11,5 milhões de arquivos secretos obtidos a partir de um escritório de advocacia no Panamá.
A rede investigou durante um ano um esquema global de ocultação de patrimônio e dinheiro por parte de líderes mundiais, chefes de Estado e figuras públicas. Os documentos, reunidos como Panamá Papers, expõem as participações no exterior em esquemas montados em paraísos fiscais de 12 líderes mundiais atuais e passados, além de dados sobre as atividades financeiras de outros 128 políticos e funcionários públicos de diferentes países.
No Brasil, o UOL, o jornal “O Estado de S.Paulo” e a RedeTV, que participam da rede global de jornalistas, revelaram neste domingo as primeiras informações sobre esta fuga fiscal gigante e também a relação com os escândalos de corrupção por aqui.
Para se ter uma ideia, a Mossack Fonseca já estava no radar da operação Lava Jato em janeiro de 2016, quando se suspeitava que a firma teria ajudado a ocultar o nome dos verdadeiros proprietários de um apartamento tríplex no Guarujá (SP).
As descobertas mais recentes mostram que as conexões vão muito além do possível caso do imóvel: a Mossack Fonseca criou ao menos 107 offshores (contas bancárias e empresas abertas em paraísos fiscais) para pelo menos 57 pessoas ou empresas implicadas no escândalo da Petrobras. Entre os nomes citados direta ou indiretamente estão os de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e João Lyra (PTB-AL).
