Uma lei sancionada na última sexta-feira (12), pelo presidente Michel Temer (MDB) retirou de Santa Catarina a condição de berço da colonização italiana no Brasil. A lei 13.617/2018 reconhece a cidade de Santa Teresa, no Espirito Santo, como “Pioneira da Imigração Italiana no Brasil”. O município teria recebido os primeiros imigrantes em 1875. Santa Catarina, no entanto, recebeu os primeiros italianos 39 anos antes. Eles fundaram a Colônia Nova Itália, hoje município de São João Batista, na região da Grande Florianópolis.
Lideranças da comunidade, da Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil e do município de São João Batista já estão mobilizadas para, primeiro, aprovar uma lei estadual sobre o assunto e em seguida contrapor a legislação aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. “Já estamos tratando com os deputados estaduais. Temos como provar que os primeiros imigrantes aportaram em Santa Catarina”, diz o diretor da entidade, Élio Paulo Satori. “Eu fiquei até mais tranquilo, porque a nossa imigração é bem anterior e temos como provar. A Colônia Nova Itália é o berço da imigração no Brasil”, acrescenta Plácido Vargas, secretário de administração e desenvolvimento econômico de São João Batista.
O historiador Paulo Vendelino Kons, responsável pela organização recente da festa dos 180 anos da Imigração Italiana no Brasil, na Colônia Nova Itália, trata a questão como um erro histórico do governo federal e do Congresso Nacional. “Devemos enviar um manifesto ao Congresso para que seja corrigido esse erro. Creio que, demonstrando que há colonização mais antiga, como a da Colônia Nova Itália, a Lei pode ser revogada ou substituída”, ponderou.
As lideranças catarinenses e os descendentes dos primeiros italianos no Estado avaliam, ainda, que a votação e a promulgação da lei se deu sem o devido levantamento histórico. Foi apresentada no Congresso e votada sem que ninguém fosse verificar fatos anteriores ao proposto.
