Sete pessoas foram presas temporariamente na manhã desta segunda-feira em cinco cidades catarinenses, após o Ministério Público estadual descobrir que uma quadrilha furava a fila de exames do Sistema Único de Saúde (SUS).
Um oitavo suspeito ainda ficou de se entregar à polícia. As prisões e 19 mandados de busca e apreensão aconteceram em Florianópolis, Biguaçu, Major Gercino, Palhoça e São João Batista.
Entre os presos pela Operação Ressonância estão três vereadores de São João Batista e um de Biguaçu, Manoel Airton Pereira (PP) “Bilico”.
Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), o núcleo do esquema era no Hospital Celso Ramos, no centro da Capital, onde um servidor do Estado com acesso ao banco de dados do SUS fraudava a ordem de exames, principalmente os de ressonância magnética e tomografia. O valor cobrado ficava entre R$ 200 e R$600. A vantagem também poderia ser política, através da fidelização de eleitores, por parte dos vereadores investigados.
“Havia intermediadores que captavam pacientes. Eles, por sua vez, entregavam um envelope com o cartão do SUS e o dinheiro exigido. A troca dos envelopes pelas requisições acontecia nos fundos do hospital, num local chamado barraco, ou em um quiosque ali próximo”, detalhou o promotor Alexandre Graziotin, coordenador do Gaeco.
“Trata-se de um esquema muito antigo, já consolidado por bastante tempo. Tanto que ele continuou durante os 11 meses das investigações. Tinha gente que vivia exclusivamente dessa fraude”, revelou a promotora Sonia Piardi.