Votação de adiamento de eleição deve acontecer até quarta na Câmara

Lideranças do Centrão que estavam mais resistentes ao adiamento das eleições mudaram de ideia e a análise da proposta de emenda constitucional (PEC) que altera o calendário eleitoral deve ser apreciada pelo plenário da Câmara até quarta-feira.

Aprovado na semana passada pelos senadores, o texto transfere o primeiro turno do dia 4 de outubro para 15 de novembro e o segundo turno de 25 de outubro para 29 de novembro.

Segundo fontes, o acordo foi construído em reuniões durante o final de semana. No pacote de negociações para viabilizar a votação da PEC, foi selado o compromisso dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de articular para garantir o avanço da Medida Provisória (MP) 938, que estabelece que o Tesouro Nacional cobrirá eventuais quedas nos valores dos repasses dos Fundos de Participação de Estados e Municípios (FPE) e (FPM) durante os meses de março, abril, maio e junho, garantindo os montantes anteriores à crise. Parlamentares pediram ainda que o repasse seja ampliado até o final do ano, o que, de acordo com lideranças do grupo, deve acontecer.

Além disso, também entrou na mesa de negociações a análise do projeto de lei que propõe a volta da propaganda partidária, de autoria do senador Jorginho Mello (PL-SC).Outro fator que teria determinado a mudança de postura de caciques do grupo teria sido a articulação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Alertado por Maia sobre a resistência de partidos do Centrão como reflexo da pressão de prefeitos que tentarão a reeleição, o presidente do TSE ligou para lideranças do bloco na última sexta-feira (26), defendendo as questões técnicas e sanitárias que determinavam a necessidades de mudar o calendário eleitoral em função da pandemia.

Mais cedo, o presidente da Câmara afirmou, em entrevista coletiva em São Paulo, que a Casa precisa votar a PEC do adiamento das eleições ainda nesta semana. “A decisão de pautar e votar precisa acontecer essa semana. Até porque nós temos o prazo de 4 de julho, que é muito importante, são milhares de servidores públicos que pretendem disputar a eleição, certamente muitos da área de saúde, que precisam da informação para tomar sua decisão”, disse Maia, após reunião com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas. “Nossa intenção é, com diálogo, chegar na quarta com uma solução para esse tema”, acrescentou.

No Twitter, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), que era contrário ao adiamento da eleição, indicou que mudou de ideia.

“A beleza da democracia é a capacidade que temos de convencer e ser convencidos pelo diálogo. Eu fui convencido de que o adiamento das eleições para novembro é a melhor decisão a ser tomada. Estamos construindo esse consenso necessário”, escreveu Pereira.

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Paulo Donizete Matias