Com 4.639 vagas adicionadas entre janeiro e julho, o Sul do Estado mantém saldo positivo na geração de empregos formais, mas registra o menor desempenho desde 2020.
Naquele ano, marcado pela pandemia e pelo início da série do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), a mesorregião acumulava saldo negativo de 8.404 vagas no mesmo período.
Entre 2021 e 2025, o saldo havia superado a marca de 10 mil empregos formais em todos os anos analisados. O melhor desempenho do período foi registrado em 2021, com 15.610 vagas acumuladas entre janeiro e julho. Na comparação com esse pico, o resultado de 2026 representa uma queda de aproximadamente 70,3% na geração de empregos formais no Sul catarinense.
Na Região Carbonífera, o acumulado do ano também permanece positivo, com 1.736 empregos formais gerados entre janeiro e julho. Apesar disso, o resultado representa menos da metade do observado no mesmo período de 2025, quando a região acumulava 4.090 vagas.
Os dados integram o Boletim do Emprego Formal, elaborado pelos economistas Leonardo Alonso Rodrigues e Alison Fiuza e disponibilizado pela Associação Empresarial de Criciúma (Acic).
Para a elaboração do estudo, os especialistas têm como base o Novo Caged, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O documento completo pode ser consultado no site da entidade.
Ritmos diferentes de desempenho
O comportamento do mercado de trabalho formal varia entre os municípios da Amrec. Mesmo em um cenário de desaceleração, nove dos 12 municípios da região seguem com saldo positivo no acumulado de 2026.
Içara lidera a geração de empregos no ano, com 512 vagas formais, seguida por Orleans, com 322; Balneário Rincão, com 298; Morro da Fumaça, com 290; Nova Veneza, com 284; Forquilhinha, com 246; Urussanga, com 144; Treviso, com 30; e Cocal do Sul, com 27.
Criciúma encerrou julho com saldo praticamente nulo no acumulado do ano, com apenas cinco vagas formais acrescentadas. O município concentra 49,3% dos vínculos formais da Amrec, o que faz com que seu desempenho tenha influência direta sobre o resultado regional.
Na outra ponta, Siderópolis e Lauro Müller acumulam perdas em 2026. Siderópolis registra saldo negativo de 247 vagas formais, enquanto Lauro Müller acumula fechamento de 175 postos de trabalho.
Comércio é o único setor com saldo negativo no mesorregião
A análise por setores também revela comportamentos distintos na geração de empregos formais em 2026. No Sul catarinense, o saldo positivo acumulado entre janeiro e julho é sustentado principalmente pela indústria geral, com 2.199 vagas; pelos serviços, com 1.629, e pela construção, com 763.
A agropecuária também aparece positiva, com 225 vagas. O comércio é o único setor com resultado negativo na mesorregião, com fechamento de 177 postos formais no período.
Na Amrec, o comportamento é semelhante. A indústria geral lidera a geração de empregos no acumulado do ano, com 864 vagas, seguida pelos serviços, com 666, e pela construção, com 345. O comércio também aparece como único setor negativo na região, com perda de 147 vagas formais.
Análise
“O desempenho do mercado de trabalho ocorre em um ambiente de elevada incerteza, influenciado tanto por questões internacionais quanto nacionais. O principal sinal emitido pelos dados não é de deterioração estrutural, mas de uma fase de moderação da atividade econômica, devido à trajetória dos juros, condições macroeconômicas e ambiente de confiança de empresários e consumidores”, avalia Rodrigues.
O economista Alison Fiuza observa que os dados de julho reforçam o cenário de desaceleração do mercado formal, mas com intensidade diferente entre os recortes analisados. “Apesar do contexto mais desafiador, os saldos acumulados da Amrec e do Sul catarinense permanecem positivos, evidenciando que a região ainda mantém capacidade de geração de empregos formais”, acrescenta.